sexta-feira, 13 de junho de 2014

"O Príncipe da Neblina", de Carlos Ruiz Zafón (Opinião)

Este conto, o primeiro de uma trilogia, alicerça-se em elementos que já são habituais nos livros de Zafón: neblinas, um relógio cujos ponteiros recuam no tempo, um jardim de estátuas que se movem, vozes que sussurram e espectros que assombram os vivos.

Talvez por ter tido origem nas primeiras ideias que Zafón desenvolveu enquanto escritor (como o próprio afirma no prefácio), este é um livro com poucas páginas, no qual não abundam os pormenores ou a contextualização. Aliás, quando chegamos à última página ficamos com a sensação de que queríamos saber muito mais sobre aqueles personagens, que por falta de desenvolvimento acabam por se nos afigurar muito bidimensionais.
Página a página, vamos inferindo a história através das descrições dos ambientes fantasmagóricos e surreais , que mais tarde encontraremos mais polidos na "Sombra do Vento", aquele que para mim é um dos melhores livros que li até hoje.

A tradução deixa transparecer uma escrita ainda ingénua e crua, um embrião do autor de renome que Zafón seria no futuro. É o livro indicado para quem se quer iniciar no universo deste autor, que se demarca dos demais pela destreza com que utiliza elementos góticos nas suas obras e cria ambientes e histórias espetaculares, que obrigam o leitor a sair da sua zona de conforto.

✰✰✰ (3 em 5)